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Acordo do Atlântico Sul engloba questões demasiado vastas para serem resolvidas individualmente

Os instrumentos de monitorização dos oceanos podem informar os cientistas sobre a forma como as alterações climáticas afetam as nossas águas. Crédito fotográfico — Aliança de Investigação sobre o Oceano Atlântico (AORA)

Cientistas de diferentes continentes coordenam investigações para melhor compreender o Atlântico Sul e Tropical, graças a uma colaboração liderada pela UE

«Com a intensificação da nossa cooperação com a África do Sul e o Brasil, inauguramos uma nova era do Iluminismo Azul», declarou Carlos Moedas, comissário europeu responsável pela Investigação, a Inovação e a Ciência. «Graças a ela, poderemos juntos tirar proveito das oportunidades e enfrentar os desafios do Oceano Atlântico enquanto sistema, explorando-o melhor e em benefício dos nossos cidadãos.»

O comissário assinou o acordo com os representantes do Brasil e da África do Sul em Lisboa, no edifício histórico da Torre de Belém, em 13 de julho.

Conhecido como a Declaração de Belém, o acordo define vias para os países compreenderem melhor o Atlântico Sul, desde a segurança alimentar até às alterações climáticas e correntes oceânicas.

Um dos objetivos do acordo é o reforço das observações no oceano Atlântico, através da congregação de recursos e conhecimentos, para se garantir o apoio necessário à proteção dos ecossistemas que se encontram sob pressão.

«A iniciativa para o Atlântico Sul é realmente muito importante para o desenvolvimento da cooperação regional na resposta a questões científicas cruciais que são demasiado vastas para serem resolvidas por dois países apenas», afirmou o Dr. Pedro Monteiro, do Conselho de Investigação Científica e Técnica, com sede na África do Sul.

«Com esta iniciativa podemos partilhar o custo das observações e da investigação científica que há a fazer.»

A iniciativa surge na sequência da Declaração de Galway, assinada pelos Estados do Atlântico Norte em 2013 para prosseguir a colaboração no domínio da investigação, e assenta em dois acordos de colaboração em investigação que a UE assinou separadamente com o Brasil e a África do Sul.

Ponto de viragem

O Atlântico Sul é o ponto de viragem de um mecanismo — a circulação oceânica global — que liga os oceanos e afeta os climas regionais.

«Podemos partilhar o custo das observações e da investigação científica que há a fazer.»

Dr. Pedro Monteiro, Conselho de Investigação Científica e Técnica, África do Sul

Teme-se que a circulação oceânica global, graças à qual parte do noroeste da Europa conhece invernos mais suaves e mais húmidos do que outros países da mesma latitude, desapareça ou seja modificada pelas alterações climáticas.

Daí poderiam advir, do Antártico ao Ártico, consequências sem precedentes para o clima mundial, pelo que é extremamente importante que os cientistas compreendam melhor todo o sistema do oceano Atlântico.

«Penso que este acordo será extremamente importante para a investigação sobre as alterações climáticas e que representará um enorme passo em frente», afirmou o Dr. Pedro Monteiro. «Será igualmente útil, na medida em que apoiará a ciência e as pessoas que querem criar empresas ligadas às alterações climáticas e aos serviços e tecnologia ligados aos ecossistemas.» 

O Dr. Johannes Karstensen GEOMAR, do Centro de Investigação Oceanográfica Helmholtz de Kiel, na Alemanha, investigador principal de duas expedições científicas que contou com a participação de colegas sul-africanos, brasileiros e de outras nacionalidades do Atlântico Sul, é um exemplo de que estas parcerias podem beneficiar ambos os lados do oceano.

Trabalhar com diferentes países permitiu à equipa de investigação partilhar equipamento e aumentar os seus conhecimentos sobre a vigilância das águas territoriais.

«É inquestionável que a colaboração com os meus colegas da África do Sul e do Brasil permitiu fazer avançar os interesses e as abordagens da minha investigação pessoal», afirmou o Dr. Karstensen.

«Espero que o futuro nos reserve mais declarações de Galway e de Belém.» 

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